Estudo da Universidade Harvard mostra que aquelas com níveis inferiores a 70 mg/dl de LDL, o colesterol “ruim”, têm o dobro de chance do problema.

Exame de sangue é capaz de detectar nível do colesterol
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Índices muito baixos de LDL, o colesterol “ruim”, e de triglicérides, a principal gordura adquirida pela alimentação, estão associados a um aumento de risco de AVC hemorrágico em mulheres. Isso foi o que mostrou um estudo da Universidade Harvard publicado nesta quarta-feira (10) no periódico da American Academy of Neurology.
Mais de 27 mil mulheres foram acompanhadas durante 19 anos. Os pesquisadores controlaram dados de hipertensão, tabagismo, atividade física e índice de massa corporal. Ao longo desse período, 137 delas sofreram derrame hemorrágico – sangramento cerebral causado pelo rompimento de uma artéria.
Aquelas com níveis de LDL menores que 70 mg/dl apresentaram o dobro de risco de ter o problema do que as com leituras entre 100 mg/dl e 129 mg/dl – índices menores que 100 mg/dl são considerados normais, segundo o estudo.
Já mulheres com índice de triglicérides abaixo de 75 mg/dl também apresentaram o dobro de chance de um AVC hemorrágico em comparação àquelas com níveis acima de 156 mg/dl. Triglicérides abaixo de 150 mg/dl é considerado saudável.
Não houve associação de AVC com o HDL, o colesterol “bom”, ou o colesterol total.
Colesterol tem papel importante no corpo
Cerca de 70% do colesterol é fabricado pelo corpo. Ele tem um papel importante no organismo, pois forma a parede das células, é matéria-prima para hormônios sexuais, participa da formação da vitamina D, faz parte da capa dos neurônios e colabora na digestão.

O LDL, sigla de lipoproteínas de baixa densidade, o colesterol “ruim”, carrega o colesterol do fígado para o resto do corpo, mas costuma deixar parte dessa carga nos vasos sanguíneos, favorecendo a formação de placas.
O HDL, lipoproteínas de alta densidade, o “bom”, por sua vez, faz o trabalho contrário, recolhendo a gordura acumulada nas artérias.
Já os triglicérides não são colesterol, mas, assim como o LDL e o HDL, são gordura. A diferença é que o colesterol é sintetizado pelo corpo – apenas 30% é adquirido por dieta – enquanto os triglicérides provêm da alimentação, além de serem uma forma de armazenamento energético do corpo.

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“Fazer atividade física é a única forma realmente eficaz de elevar os níveis de HDL, o colesterol bom, que faz uma verdadeira faxina nos vasos sanguíneos, retirando os excessos de gordura no sangue, abaixando os níveis de LDL, o colesterol ruim”, explica o cardiologista Dante Senra, do Hospitais Sírio-Libanês. Segundo ele, o ideal é que se caminhe 150 minutos por semana, parâmetro da OMS para deixar de ser sedentário. Isso equivale a 30 minutos por dia